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Sabado, 18 de Abril de 2026
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POLÍTICA

Do "jabuti" ao desgaste: O malabarismo do PT para se descolar de um imposto que ele mesmo sancionou.

O fator 2026: Como a rejeição popular forçou o governo a cogitar o fim da taxação de compras internacionais

Mandato Bahia
Por Mandato Bahia
Do
Brenno Carvalho / Agência O Globo
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A política brasileira é, muitas vezes, o palco de amnésias seletivas e recuos estratégicos. O exemplo mais recente é a movimentação nos bastidores do Palácio do Planalto para rever a polêmica "Taxa das Blusinhas" — a cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50. Após meses defendendo a "isonomia tributária", o governo Lula agora ensaia um divórcio da medida, pressionado pelo desgaste nas pesquisas de opinião e pela proximidade das eleições de outubro.

A Paternidade Negada: O Papel de Haddad e da Receita

O discurso oficial, ecoado recentemente por figuras como Guilherme Boulos e outros ministros, tenta empurrar a responsabilidade exclusivamente para o Congresso Nacional, tratando a taxa como um "jabuti" (tema estranho ao projeto original) inserido pelo Legislativo. No entanto, os fatos mostram uma realidade diferente.

Desde 2023, o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi o principal entusiasta do fim da isenção. Sob o argumento de combater a "concorrência desleal" de gigantes asiáticas como Shein, Shopee e AliExpress, a equipe econômica desenhou o programa Remessa Conforme. Embora a taxação final tenha sido selada no Parlamento, ela foi fruto de um acordo direto entre o governo e o lobby das grandes varejistas nacionais. O governo não apenas aceitou o "jabuti", como o utilizou para engordar o caixa.

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Os Números da Discórdia: Arrecadação vs. Popularidade

Enquanto o cidadão comum sentiu o peso no bolso, o Tesouro Nacional sorriu. Os dados da Receita Federal revelam a eficiência arrecadatória da medida:

  • Janeiro a Março de 2026: R$ 1,28 bilhão arrecadado.

  • Comparativo: Um salto de 21,8% em relação ao mesmo período de 2025 (R$ 1,05 bilhão).

  • Impacto: Milhões de brasileiros das classes C, D e E — a base histórica de apoio do PT — perderam o acesso a produtos de baixo custo que não possuem similares nacionais com preços competitivos.

O governo defende que a medida "preserva empregos", mas até agora não apresentou dados concretos sobre postos de trabalho gerados no varejo nacional que compensem o poder de compra perdido por milhões de consumidores.

Oportunismo Eleitoral ou Pragmátismo?

A mudança de tom ocorre exatamente quando as pesquisas mostram o senador Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente de Lula em cenários de segundo turno e a desaprovação do governo batendo na casa dos 52%.

Taxar o consumo da população jovem e conectada — que utiliza as plataformas digitais como principal meio de acesso a bens de consumo — provou ser um erro político crasso. Agora, ao falar em "fazer um balanço" e sugerir a revogação, o governo tenta apagar o incêndio que ele mesmo ajudou a atear.

A Crítica: É difícil acreditar em uma "preocupação social" genuína quando o recuo vem acompanhado do calendário eleitoral. Se a taxa era "irracional" — como o próprio Lula chegou a dizer antes de sancioná-la — por que permitir que ela vigorasse por tanto tempo, punindo o consumidor enquanto a arrecadação batia recordes?

O Preço da Incoerência

O episódio da "Taxa das Blusinhas" deixará uma marca indelével na gestão econômica atual. Ele simboliza um governo que, entre o ajuste fiscal de Haddad e o bem-estar do consumidor, escolheu o primeiro, mas que, diante da urna, descobre que o custo político de punir o consumo popular pode ser mais alto do que qualquer bilhão arrecadado.

A tentativa de atribuir a culpa apenas ao "lobby das empresas" e ao "Parlamento" é uma narrativa frágil. No presidencialismo de coalizão, nada desse porte é sancionado sem o aval — e o interesse — do Chefe do Executivo. Se a taxa cair agora, não terá sido por bondade, mas por sobrevivência política.

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FONTE/CRÉDITOS: Editorial
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