A Câmara dos Deputados encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o depoimento de uma testemunha que acusa o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) de participação em uma suposta armação contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL). Gaspar foi recentemente anunciado como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL).
O material foi anexado ao gabinete do ministro Gilmar Mendes para inclusão nos procedimentos investigativos conduzidos pela Polícia Federal (PF). As apurações tratam tanto das acusações originárias relativas ao suposto crime de estupro de vulnerável quanto da representação por denunciação caluniosa feita por Gaspar contra adversários políticos.
Origem do Depoimento e a Versão Apresentada
A coleta de depoimento foi realizada pela Polícia Legislativa da Câmara a partir de um boletim de ocorrência aberto por Alfredo Gaspar em abril. A testemunha, identificada como Luiz Antônio Lopes, alegou à Polícia Legislativa ter conhecimento sobre a construção de uma versão falsa destinada a acusar o parlamentar alagoano.
Segundo o relato constante nos documentos remetidos ao STF, uma mulher teria sido orientada e paga para conceder entrevista sob nome falso, afirmando ter sido vítima de abuso sexual durante a adolescência por parte de um político.
O depoimento cita ainda o suposto repasse de valores financeiros e menciona ameaças efetuadas por aliados políticos regionais, alegações que foram rebatidas pelos citados.
Reação de Lindbergh Farias e Pedido de Suspensa no STF
Em resposta ao envio dos documentos ao STF, o deputado Lindbergh Farias acionou a Corte para solicitar a suspensão imediata da investigação conduzida no âmbito da Câmara dos Deputados. O parlamentar argumenta que a Polícia Legislativa extrapolou suas atribuições regimentais e que as declarações prestadas por Luiz Antônio são "absolutamente falsas".
A acusação original contra Gaspar havia sido formalizada em março por meio de notícia-crime enviada à PF por Lindbergh e pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS). Na ocasião, os parlamentares repassaram denúncias recebidas de que Gaspar teria cometido o crime e que valores teriam sido negociados para assegurar o silêncio dos envolvidos.
Após o anúncio da chapa presidencial do PL, Lindbergh declarou a interlocutores parlamentares que não dispunha de provas materiais contra o candidato a vice-presidente. Aliados do deputado petista afirmam que a denúncia inicial chegou por meio do próprio Luiz Antônio, que posteriormente alterou sua versão em tentativas de extorsão.
Desdobramentos e Solicitação de Exame de DNA
Alfredo Gaspar, que exercia a relatoria da CPMI do INSS no período das primeiras acusações, nega categoricamente qualquer envolvimento nos fatos apontados. Para demonstrar a improcedência das suspeitas, o parlamentar disponibilizou seu material genético e acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o STF pedindo prioridade na realização de exame de DNA.
Além das defesas no âmbito criminal, Gaspar ingressou com ações judiciais contra Lindbergh Farias e Soraya Thronicke pelos crimes de calúnia, injúria, denunciação caluniosa e coação no curso do processo.
Defesas de outros citados no relatório, como a presidência da entidade Conafer, manifestaram-se negando qualquer tipo de financiamento ou participação na elaboração de acusações falsas, colocando-se à disposição da Polícia Federal para prestar esclarecimentos formais.
A senadora Soraya Thronicke informou, por meio de sua assessoria, que o processo corre em segredo de Justiça e que as informações devidas serão prestadas exclusivamente às autoridades competentes.

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