Enfrentando uma crise com o Senado e sem saber o que passa pela cabeça de Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados, o governo Lula 3 vive seu pior inferno astral.
Confiar em Motta, figura de destaque do chamado centrão, movimento caracterizado pelo toma lá, dá cá, é o mesmo que colocar uma raposa para tomar conta do galinheiro.
Todo esse pega-pega envolvendo o governo Lula e o Parlamento é alimentado pelas pesquisas de intenções de voto. Se o petista-mor estivesse em uma situação confortável, o Congresso Nacional, com suas duas Casas Legislativas, estaria ao seu lado. Mas o céu da reeleição não é de brigadeiro.
O crescimento da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho número 1 do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, aflora o pragmatismo dos parlamentares. Lembrando ao caro e atento leitor que a maioria esmagadora, assim que sai o resultado da eleição, passa a ser governo. Os oportunistas de plantão não dormem no ponto.
O que chama atenção em todo esse emaranhado político é o jogo sujo, o cinismo, as apunhaladas pelas costas sem dó e piedade. Venho dizendo que o lamaçal que vem tomando conta da República é cada vez mais fétido.
E olhe que o eleitor sabe das coisas porque a imprensa divulga. Imagine o que acontece nos bastidores, longe dos holofotes e do povão de Deus. É de tampar o nariz.
O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), adversário de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo que busca o segundo mandato pelo Republicanos, diz que o empate técnico entre Lula e Flávio é "inadmissível", que "só uma lavagem cerebral coletiva explica uma comparação entre os dois presidentes", se referindo a Lula e Bolsonaro.
Lavagem cerebral coletiva ocorreu quando o povo brasileiro teve a oportunidade de dar um chega pra lá na odienta polarização e não fez. O Brasil, com Ciro Gomes, seria outro.

O fim da escala 6x1 passa a ser a "tábua de salvação" da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tem a aprovação de mais de 70% do eleitorado.
Quem acompanha a modesta Coluna Wense sabe que venho dizendo que o bolsonarismo, em relação ao fim da escala 6x1, se depara com o "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come".
Quais são esses dois "bichos"? Um é ser contra a uma proposta que tem um grande apelo popular. O segundo "bicho" diz respeito aos empresários da Faria Lima. O bolsonarismo não pode contrariar os maiores doadores de campanha.
No mais, dizer que o pleito presidencial está aberto, que ainda tem muita água para passar sob a ponte da sucessão, água limpa e suja. Salta aos olhos que muito mais água podre.

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