Nesta terça-feira (7), o ex-prefeito de Salvador e vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, pronunciou-se oficialmente sobre as mensagens reveladas pela Folha de S.Paulo que mencionam encontros entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Durante um evento político na capital baiana, Neto reconheceu a existência de "vários encontros", mas enfatizou que todos ocorreram dentro de um contexto estritamente profissional e privado.
A declaração surge após o vazamento de conversas armazenadas na nuvem da Apple, nas quais Vorcaro mencionava ter recebido o político em sua residência em maio de 2024.
Defesa da atividade profissional privada
ACM Neto pontuou que os diálogos refletem o período em que ele não ocupava cargos públicos, o que o permitia exercer atividades de consultoria para empresas do setor privado. Segundo ele, o volume de reuniões era necessário para o cumprimento do contrato de prestação de serviços para o qual sua empresa, a A&M Consultoria, foi contratada.
"Eu tive alguns contatos com o pessoal do banco, e não foram duas vezes, foram várias vezes, porque trabalhei com eles. Para garantir a execução do serviço, tive reuniões com vários diretores. Não há nada de anormal nisso", afirmou o ex-prefeito.
O político criticou a repercussão do caso, classificando-a como uma tentativa de transformar uma atividade lícita em algo suspeito. Ele reiterou que o trabalho realizado era de análise da agenda político-econômica nacional, sem qualquer conflito de interesses com funções públicas.
O conteúdo das mensagens vazadas
As mensagens que deram origem ao esclarecimento foram resgatadas de arquivos digitais e entregues no âmbito das investigações que cercam o Caso Master. Em um dos trechos, datado de 22 de maio de 2024, Daniel Vorcaro escreveu ao empresário Fábio Faria:
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Mensagem de Vorcaro: "Mas está tudo certo. Estou indo para Brasília. Amanhã acho que assina Augusto. ACM foi lá em casa."
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Resposta de Faria: "Bom demais."
A menção à visita domiciliar é o ponto central que a oposição e os órgãos de controle utilizam para questionar a natureza da proximidade entre o político e o banqueiro.
Contexto financeiro e político
A manifestação de ACM Neto ocorre em um momento de pressão, já que relatórios do Coaf apontaram que sua empresa de consultoria recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da gestora Reag entre 2023 e 2024. Os investigadores apuram se os valores movimentados guardam proporcionalidade com a estrutura da empresa e se há conexões com as fraudes investigadas pela CPI do INSS.
No campo político, o esclarecimento foi feito durante o ato de oficialização do apoio de José Carlos Aleluia à pré-candidatura de Neto ao Governo da Bahia. O evento serviu como uma demonstração de força partidária em meio ao desgaste causado pelas revelações do setor financeiro.

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