Vai ficando cada vez mais escancarado que o presidenciável Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo pelo Republicanos, só está de olho no espólio eleitoral do inelegível Jair Messias Bolsonaro (PL).
Vejamos dois recentes fatos em que o chefe do Palácio dos Bandeirantes faz de tudo para se afastar do bolsonarismo, especificamente do rotulado de raiz, o mais intransigente e radical.
1) a ausência de Tarcísio no protesto do último domingo. "Coincidentemente", marcou um procedimento cirúrgico para o mesmo dia. 2) Tarcísio deu um chega pra lá nos bolsonaristas que queriam ele como interlocutor junto ao STF para evitar a prisão do ex-morador do Alvorada.
A desconfiança do clã Bolsonaro em Tarcísio só faz aumentar dia a dia, o que termina fortalecendo o nome de um dos filhos de Bolsonaro e o da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Tarcísio de Freitas só quer usufruir do que ele acha que pode contribuir para sua caminhada rumo ao cargo mais cobiçado do Poder Executivo. É um bolsonarista, digamos, meia-boca.
O gestor do Estado mais rico do Brasil e do maior colégio eleitoral vai se tornando uma espécie de "patinho feio" do bolsonarismo chamado de autêntico.
Os bolsonaristas que andam com a pulga atrás das orelhas com Tarcísio, já começam a comungar com a opinião de que é melhor perder o pleito presidencial com um membro do clã Bolsonaro do que ter Tarcísio de Freitas dando um chega pra lá em Bolsonaro, tratando com desdém o bolsonarismo se for eleito presidente da República.
Costumo dizer, toda vez que comento o vale-tudo dos políticos para conquistar o poder, assentado no ensinamento maquiavélico de que os fins justificam os meios, que os menos espertos dão beliscão em azulejo.
O movediço e traiçoeiro mundo da política não socorre os que dormem e, muito menos, os ingênuos.

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